Mal tenho pernas e ja me querem botas.
Desando feito criança tosca e caio mil passos.
Tenho pés na asa da cabeça e engatinho corpo.
Nao sei andar passos,
tropeço na língua do poema e quedo raiz pra baixo,
feito minhoca buscando terra.
Quando firmo calçadas, o amor abre boca da noite
e engole unhas de tempos.
Crescer pra amanha doi peito de pé
que nem prego enferrujado.
Quedo passos de edificil.
Quando ando descalça,
medo antigo quebra pedra de asfalto.
Eu nao sei andar feito fada de boutique,
nem mocinha de janela.
Quando descalço pés, piso areia movediça
e arranco lodo de pântano.
Nao tenho pés de algodao por sobre,
nem silêncio de mesquita,
Quando saio ruas tenho asas no pé da cabeça.
Tô aprendendo a andar ....
mal tenho pernas e
já me querem botas.
(Joíra F.)
Nenhum comentário:
Postar um comentário