sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A CIDADE DE CIMENTO

A selva engole pedras
encimenta almas
e ergue prédios.
A selva emudece bocas,
escancara as máscaras.
Nos tempos midiáticos,
a selva devora tempo,
distrai na tela o diálogo acabado.
A selva faz jargões
manipula a massa,
aliena a perspicácia.
A selva traz a tecla,
os clicks e claves na pedra,
na branca da memória RAM.
A selva traz amores virtuais,
quebra encantos reais,
Vida sobrepujando vida.
A selva encimenta tudo,
até o coração do homem.

   Joíra F.

domingo, 19 de agosto de 2012

PONDERAÇAO



Nao vale a pena
Sustentar seu vício,
Aceitar teu luxo,
conviver com teu lixo...
Entre a loucura e a insanidade
Fico comigo, outra vez.
Recolho-me!

Joy ☂

segunda-feira, 28 de maio de 2012

NÃO FUJAS DE MIM

Estou,
Em cada passo que passo,
em cada solidão que moro,
em cada sonho que morro
em cada fase que broto,
em cada saber que ignoro
em cada linha que traço.

Cada veneno que aprovo,
em cada silêncio que ouço
em cada barulho que faço,
em cada esquina que tramo,
em cada verbo que nasço
em cada grito que calo.

Em cada colo que canto,
cada pranto que choro,
em cada som que embalo
cada rima que solto
em cada distancia que meço,
cada linha que embolo 
em cada fim que começo.

Cada começo que findo,
em cada meio que renasço,
em cada sono que canso,
em cada vida que acabo
cada sorriso que esboço
em cada êxtase que causo.

Em cada veneno que bebo,
cada lembrança que trago,
cada peito que quebro,
em cada espaço que aperto,
em cada preto que luto,
cada vestido que dispo,
em cada frio que sinto,
em cada ilusão que resto.

Em cada cara que cismo,
em cada rosto que cuspo,
em cada face que desisto,
em cada peito que surto,
em cada perna que encosto.
Cada choro que disfarço,
cada olhar que reforço,
cada ciume que brigo,
em cada porto que abrigo,
cada vento que abraço.

Estou,
em cada punhal que lanço,
em cada coração que enlaço!

Joíra F

sábado, 5 de maio de 2012

COLECIONO GENTE ENTEDIADA

A vida passa por detrás do tédio
alcança portos de alem.
Indiferente, pessoas passam
donas de si,
donas indeléveis do tempo
donas do nada!
Pessoas sempre passam...
Ouço passos na calçada,
Ouço vida,
barulho de chuva,
de quase um nada.
Sao mendigos na calçada,
apenas...
Apenas?
Indiferente, pessoas passam
donas da cidade,
donas do asfalto.
Donas da calçada.
Nunca donas do frio,
da alma
da tristeza, 
donas do caos.
Daqui ouço gemidos,
nao de amores,
de dor,
gritos emudecidos,
presos, inertes.
gritos
de mendigos na calçada
apenas.
Apenas?
Mendigos do tempo,
maltrapilhos do viver.
Daqui, pessoas passam...
Coleciono gente entediadas.

Joíra F.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

VAMOS BRINCAR DE AMOR?


O amor é um borralho,
nas minhas cartas de baralho.
É por certo coringa
nos meus versos cor de tinta.
É uma carta de As
na história dos meus anais.
É a carta de rei
que mata o que não sei.
Por vezes é rainha
que devora alma minha.
É trinca de paus
no peito dos homens maus.
O amor é espada,
que me fere desavisada.
O amor é vinte e um
que não posso trocar por um.
è cartada de truco
no coração de maluco.
O amor é um buraco
que fica e faz estrago.
O amor é só borralho
nessa vida de baralho.
Bati!

Joíra F.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O AMOR É SORTE



O amor é sorte
E eu não jogo dados
Sempre fico um
E perco a partida
Feche a roleta
Eu não jogo dados
Segue tuas escolhas
Fico no cassino fechado

Tenho planos
Tenho sonhos
Não quero folhas secas
Não quero folhas mortas
Quero rumo, prumo
Porto seguro ao chegar em casa

Não quero perder 
Na ultima rodada
Jogue sozinho
Tuas baforadas
Fico aqui
Amor é sorte
E eu não jogo dados
Perdi!

Joíra F.

O AMOR TEM DESSAS COISAS


Você abre a porta mas eu não vou.
dou uma volta e pouso em tuas mãos,
Talvez um dia eu vá e não volte,
por enquanto fico
Fico com portas abertas
com a alma presa nos desvãos.
Desequilíbrio de asas me bate vento
e caio, caio todo dia no seu não.
Mas eu volto,
todo dia eu volto um pouco
e fico...
Fico não sei onde de você,
fico no meio termo de me perder
no meio a meio do ser,
Ser livre, pássaro sem asas,
correr e morrer solto em casa.
Talvez eu morra no dentro,
talvez eu queira ser o centro,
bem no epicentro do ter.
Mas hoje sou asas e vou
e fico em todo lugar,
bem aqui dentro, perto de mim
espalhada pelo mundo
no mundo de minha gaiola,
minha gaiola de você.

Joíra F.


MEUS OLHOS CLAROS


Ah, meus olhos cor de sol,
daqui vejo o infinito e
canto...
No canto de ti
meus olhos de girassol.

Joíra F.

Nossa cançao

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O CÉU É O LIMITE


E o céu me põe,
sonho de Ícaro
na imensidão azul.
Subo, vou
no limite de mim e volto.
E o céu me opõe.
fico no chão e contemplo,
subo indiviziveis tons
e fico...
E o céu me compõe,
Inteira, volto a ser lume,
vida, pó de estrela
e sonho.

Joíra F.

INDO EMBORA


Ouço passos,
e passo!
Nao sao meus pés...
Nao é meu chao.
Sou eu apenas
que passo.
Psiu!!!
Deixe-me passar.

Joíra F.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

VAI PASSAR

Durma criança que passa!
A fome passa,
a tristeza passa,
os amores passam,
a angústia passa,
até a ilusão passa...
não passa
essa insana vontade
de estar viva.

Joíra F.

ESSES AMORES GREGOS

Perdão,
não fui eu,
Foram as Moiras meu bem,
fio a fio e nada mais além.
Embaraçou ao meio,
nem Cronos nem Zeus...
Afrodite é o destino teu.
Zomba Baco de loucura tal,
de amares um reles mortal.
Cupido errando flecha
fura olhos teus.
Alfinete de Jocasta,
cego, nada mais te basta.
Eros com encantos meus,
apela lírios em lábios teus.
Te poetas em panteão
te apegues a Apolo então
e salva-te,
salva-te de tao trágica ilusão.

Joíra F.

TALVEZ EU TE AME MAIS UMA VEZ

Deixo-te, porque cansei de querer-te,
Meus pés não tem ânimo para buscar-te.
Então fica...
ao alcance de meus olhos,
talvez...
meu coração te chame
e eu te ame mais uma vez.
Por hora,
queria ser achada.
Chamada talvez.
Enquanto prevalece silêncios
Eu fico...
ao alcance de teus olhos.
Talvez...
teu coração me chame,
e você me ame
mais uma vez.

Joíra F.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

PARTINDO

Quero ir em embora
embora de mim.
pra qualquer canto de mim,
de outrora,
de dez mil vidas de antes,
antes mesmo de mim.
Quero ir embora pra mim.
Essa imensidão me engole
pra dentro,
pra muito dentro de mim...
Eu já não me sou
e sou tao dona de mim
que não parto e fico.
Fico bem aqui...
tao dentro de mim.

Joíra F.

quarta-feira, 14 de março de 2012

TEMPO DE SILENCIOS

Atrás...
tempo infinito onde me busco,
rabisco qualquer troço,
alem de mim.
reverdeço,
afloro
depois me fecho,
esquecida na areia
do tempo.
Rosa vã
em mar aberto.
Só sinto, enfim...

Joíra F.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Na véspera de ti
eu era pouca
e sem
sintaxe
eu era um quase
uma parte
sem outra
um hiato
de mim.

No agora de ti
aconteço
tecida em ponto
cheio
um texto
com entrelinhas
e recheio:
um preciso corpo
um bastante sim.

Maria Esther Maciel