segunda-feira, 28 de maio de 2012

NÃO FUJAS DE MIM

Estou,
Em cada passo que passo,
em cada solidão que moro,
em cada sonho que morro
em cada fase que broto,
em cada saber que ignoro
em cada linha que traço.

Cada veneno que aprovo,
em cada silêncio que ouço
em cada barulho que faço,
em cada esquina que tramo,
em cada verbo que nasço
em cada grito que calo.

Em cada colo que canto,
cada pranto que choro,
em cada som que embalo
cada rima que solto
em cada distancia que meço,
cada linha que embolo 
em cada fim que começo.

Cada começo que findo,
em cada meio que renasço,
em cada sono que canso,
em cada vida que acabo
cada sorriso que esboço
em cada êxtase que causo.

Em cada veneno que bebo,
cada lembrança que trago,
cada peito que quebro,
em cada espaço que aperto,
em cada preto que luto,
cada vestido que dispo,
em cada frio que sinto,
em cada ilusão que resto.

Em cada cara que cismo,
em cada rosto que cuspo,
em cada face que desisto,
em cada peito que surto,
em cada perna que encosto.
Cada choro que disfarço,
cada olhar que reforço,
cada ciume que brigo,
em cada porto que abrigo,
cada vento que abraço.

Estou,
em cada punhal que lanço,
em cada coração que enlaço!

Joíra F

sábado, 5 de maio de 2012

COLECIONO GENTE ENTEDIADA

A vida passa por detrás do tédio
alcança portos de alem.
Indiferente, pessoas passam
donas de si,
donas indeléveis do tempo
donas do nada!
Pessoas sempre passam...
Ouço passos na calçada,
Ouço vida,
barulho de chuva,
de quase um nada.
Sao mendigos na calçada,
apenas...
Apenas?
Indiferente, pessoas passam
donas da cidade,
donas do asfalto.
Donas da calçada.
Nunca donas do frio,
da alma
da tristeza, 
donas do caos.
Daqui ouço gemidos,
nao de amores,
de dor,
gritos emudecidos,
presos, inertes.
gritos
de mendigos na calçada
apenas.
Apenas?
Mendigos do tempo,
maltrapilhos do viver.
Daqui, pessoas passam...
Coleciono gente entediadas.

Joíra F.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

VAMOS BRINCAR DE AMOR?


O amor é um borralho,
nas minhas cartas de baralho.
É por certo coringa
nos meus versos cor de tinta.
É uma carta de As
na história dos meus anais.
É a carta de rei
que mata o que não sei.
Por vezes é rainha
que devora alma minha.
É trinca de paus
no peito dos homens maus.
O amor é espada,
que me fere desavisada.
O amor é vinte e um
que não posso trocar por um.
è cartada de truco
no coração de maluco.
O amor é um buraco
que fica e faz estrago.
O amor é só borralho
nessa vida de baralho.
Bati!

Joíra F.