quarta-feira, 25 de maio de 2011

TALVEZ EU VOLTE

Abras-me a ti
que sou passagem de endoidecer.
Depois,
bem depois da queda solta
volte teus olhos de brisa
e me busque infinitos dias
estarei aqui,
ali...
acolá,
esperando no frio da noite
o pavio da vela acesa.

Joíra F.

TEIA


Teci uma teia
Com gotas de orvalho
O sol reluzia imenso...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Apetece-me


Nao me creias palavras
hoje visto-me de fadas.
Apetece-me devorar
coraçoes em versos,
depois a rima
engole ate poetas.
Nao me creias palavras,
as uso feito vento na cara...
Amanha é talvez
na boquinha da noite
e já nao falo de ti,
Visto-me de fadas
e crio monstros de chocolates!

Joíra F.

Transformaçao

De você so tem sobrado
espinhos que cutuca rosas
e alma de lixa que me fere dentro.
Os lírios de teus olhos
ficaram la atras
perdidos na areia do tempo,
pisados...
Onde fui roseira brava
hoje sou rosa de vento,
perdida em todas as direçoes.
Cresce em ti espinhos de canteiros
nos teus longos braços
que já foi jardim.

Joíra F.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

VENS

E tu vens…
Rasgas o teu corpo
No meu.
O teu vazio...
Deslizas ternura que me lambe
E lentamente desces
Sobre mim

segunda-feira, 16 de maio de 2011

EM ÒRBITA


Ontem
nos amamos de cabeça pra baixo.
Vi estrelas,
e anjos
Vi nuvens
no céu dos teus braços!

Joíra F.

domingo, 15 de maio de 2011

MUNDOS

o que faço aqui,
neste lugar onde nascem mundos
nas palmas das mãos?

sexta-feira, 13 de maio de 2011

TUA INDIFERENÇA

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são olhos de entardecer.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente de entardecer.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o meu nome
no silêncio do teu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.